A consciência ambiental por trás dos biodigestores

A consciência ambiental por trás dos biodigestores

O destino dos dejetos de animais e restos de alimentos é uma discussão relevante no Brasil e no mundo, pois quando lançados de forma incorreta na natureza, podem contaminar o solo, o ar e os mananciais de água. Ademais, somam-se a esses fatos a crescente demanda energética ao longo do tempo e a constante busca por uma maior qualidade de vida. Logo, os biodigestores entram em ação como uma excelente alternativa para as questões, visto que além de destinar corretamente os resíduos, há grande aproveitamento do material após seu processamento, sendo ainda uma forma de empreendedorismo promissora. Assim, isso faz com que os biodigestores estejam crescendo gradualmente no mercado.

Um biodigestor consiste em um equipamento que não tem passagem de oxigênio, sendo um local ideal para a proliferação de bactérias anaeróbicas. Essas bactérias que estão em um ambiente favorável, digerem a matéria orgânica e a transformam em biofertilizante – um rico adubo -, e em biogás.

Dessa maneira, realizar um diagnóstico é a fase inicial para dimensionar um biodigestor, que baseia-se na análise da propriedade na qual será ele instalado, sendo fundamental para identificar qual o modelo mais adequado para o local. Não obstante, decidir como será feita a coleta e calcular a quantidade de matéria orgânica e sua origem também influenciam no processo. Avaliar a necessidade energética para a localidade traz dados, como o quanto aquela propriedade precisa, em termos de energia, para atender suas necessidades; o quanto de matéria é necessário para suprir essa demanda; se, ao exceder a produção, esse produto pode ser comercializado em outras locais; entre outros.

Os modelos disponíveis no mercado são o canadense, chinês e indiano. O primeiro, respectivamente, é horizontal, apresenta uma caixa de alvenaria mais larga na borda do que na profundidade, é mais exposto ao sol, o que possibilita uma eficaz produção de biogás. Sua cúpula é feita de plástico maleável PVC, tendo, assim, um custo mais alto. O segundo foi pensado para pequenas propriedades e é uma peça única enterrada no solo. Ocupando menos espaço, tem um preço mais baixo em relação aos outros.

Já no terceiro, a cúpula é feita de ferro ou fibra, fermentando mais rapidamente, ocupando menos espaço e aproveitando a temperatura estável do solo.

Outra possibilidade a ser avaliada é a segurança do biodigestor, no sentido de que se construa cercas ao redor do mesmo para evitar acidentes com animais ou crianças. É importante estar localizado longe de árvores e estar a cerca de 10 metros de distância de edificações.

O cálculo do volume é feito pelo produto do volume da carga diária (solução dos dejetos + água) pelo tempo de retenção hidráulica.

Todos esses requisitos fazem parte da construção da proposta.

Assim sendo, é importante saber sobre as fases da degradação dos resíduos:

1ª Hidrólise: Nessa etapa ocorre a quebra das cadeias carbônicas, a quebra dos lipídios e dos carboidratos, que se transformam em compostos mais simples como glicerol, açúcares, entre outras moléculas menores.

2ª Acidogênese: Aqui, os compostos resultantes da hidrólise convertem-se em CO 2 , ácido etanóico (ou ácido acético), ácidos graxos, entre outros. Esses serão absorvidos pelas bactérias.

3ª Acetanogênese: Nessa etapa, há transformação dos ácidos graxos em ácido acético, liberando hidrogênio e CO 2 . Começam a surgir a base para a produção de metano.

4ª Metanogênese: Na última fase, há dois tipos de bactérias. Uma delas produz metano pela conversão do ácido acético e a outra produz o mesmo a partir do hidrogênio e do CO 2. Alguns fatores podem afetar esse processo como temperatura, pH, tempo de entrada e saída dos materiais do biodigestor, manejo inadequado, agentes inibidores, teor de água, entre outros.

Por fim, a utilização de equipamentos na escala industrial é uma forma de aumentar a produção e qualificá-la, destinando corretamente os resíduos como uma forma de preservação dos recursos naturais, produzindo energia limpa e aproveitando os biofertilizantes como resultados de um processo ambiental positivo e sustentável. Conclui-se, portanto, que a adesão dos biodigestores, feitos de forma correta e bem estruturada, além de proporcionar economia para o proprietário em diversos requisitos, é um ato de consciência ambiental, que mesmo muito debatida na atualidade, ainda precisa ser enfatizada na sociedade.

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