Utilização de Dietilenoglicol na Fabricação de Cerveja

Utilização de Dietilenoglicol na Fabricação de Cerveja

Você já ouviu falar da cervejaria Backer?

No início de 2020, antes mesmo da Pandemia do Corona Vírus se instalar em todo o mundo, o Brasil enfrentou os resultados de um problema na linha de produção na cervejaria Backer que resultou em diversos casos de contaminação por Dietilenoglicol.

Então, vamos entender mais sobre esse produto!

O Dietilenoglicol, denominado também de DEG, é um composto líquido, viscoso e incolor. Além disso, é totalmente solúvel em água, o que se mostra um fator decisivo para a intoxicação causada nos consumidores da cerveja. Isso acontece, pois, uma vez ingerido, ele se espalha rapidamente pelo sangue, alcançando assim uma velocidade alta de difusão. Em pouco tempo, rins, fígado, cérebro, músculos… estão contaminados.

A empresa brasileira, Backer, não foi a primeira a causar essa contaminação com DEG. Companhias farmacêuticas internacionais, principalmente, já foram responsáveis por mortes e contaminações de crianças e adultos, ao desenvolverem medicamentos com traços desse composto na fórmula. Vale ressaltar que, o caso da SE Massengill Co, ocorrido em 1937 no Tennessee, quando ainda não existiam análises toxicológicas para a venda de novos remédios, foi o ponto de partida para a formulação das leis que hoje regulamentam o FDA.

Hoje sabemos do efeito nocivo do Dietilenoglicol, mas por que ele continua presente nas indústrias cervejeiras?

Sua utilização está relacionada não aos ingredientes que compõe a cerveja, mas no processo de mantimento da qualidade do produto final durante toda a produção. Para uma cerveja ser competitiva no mercado, vários fatores são importantes: aparência, coloração, rótulos, qualidade da matéria prima, entre outros. Sendo assim, durante fases específicas da produção, é necessário que a temperatura seja controlada para atingir esse padrão de qualidade.

A fase de fermentação, na cadeia produtiva da cerveja, deve ser realizada em temperaturas de 8°C a 10°C. Para que isso ocorra, uma solução de DEG e água circula externamente aos tanques de fermentação, nas chamadas serpentinas, para resfriar o mosto. Ou seja, essa solução funciona como um anticongelante, permitindo que a eficiência do resfriamento seja maior ao diminuir o ponto de fusão e permitir que a solução permaneça líquida às temperaturas mais baixas que o normal, podendo chegar até -5°C. No caso da cervejaria Backer, a causa do problema foi que alguns lotes do produto foram contaminados devido ao contato entre a cerveja e essa solução decorrente a um furo no tanque, o que não deveria ocorrer.

Outros ramos industriais também utilizam o DEG como intermediário químico. Cosméticos, lubrificantes, medicamentos, plastificantes e tintas para impressão, são alguns dos diversos produtos que envolvem esse composto durante o processo produtivo e, portanto, estão sujeitas aos riscos de contaminação.

Existem alternativas para a substituição do dietilenoglicol, como o uso de substâncias anticongelantes não tóxicas, de grau alimentício. Algumas opções são o propilenoglicol ou até mesmo o próprio álcool etílico potável. Mesmo que esses ofereçam um poder anticongelante mais baixo que o do DEG, eles conseguem manter a temperatura necessária para a produção sem riscos de contaminações nocivas. Outra alternativa é o uso do trietilenoglicol. Esse consegue fazer com que a água chegue às temperaturas iguais àquelas proporcionadas pelo DEG, contudo seu valor é alto, levando a um encarecimento do produto final.

Acidentes como esse, da cervejaria Backer, devem ser evitados ao se seguir as leis que garantem a segurança na produção, tanto para os funcionários que manuseiam esses compostos tóxicos, como para os consumidores do produto final, os quais não devem sofrer com os efeitos decorrentes das imprudências cometidas pelas grandes empresas.

Tomar uma cerveja ao final de uma semana de trabalho não deveria ser motivo de preocupação para ninguém.

Para isso, a Inova Jr. oferece serviços que ajudam empresários de todo o Brasil que querem iniciar sua fabricação de cervejas ou que necessitam de consultoria em alguma área. 

Referências

1. Fonte: www.chemicalrisk.com.br/toxicologia-do-dietilenoglicol/

2. Fonte: bibliotecadigital.fgv.br/ocs/index.php/clav/clav2020/paper/view/7518/2164

3. Fonte: https://ufla.br/noticias/pesquisa/13521-uso-de-dietilenoglicol-em-industria-cervejeira-professor-da-ufla-explica-o-assunto-do-momento#:~:text=A%20intoxica%C3%A7%C3%A3o%20por%20dietilenoglicol%2C%20uma,dias%20tem%20preocupado%20a%20popula%C3%A7%C3%A3o

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